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NOTÍCIAS

3º Concurso de Samba de Quadra tem inscrições de 15/09 a 15/10
Devido ao grande sucesso das duas primeiras edições, em 2008 e 2009, vem aí o 3º Concurso de Samba de Quadra, evento pioneiro apresentado pela Light para valorizar a música carnavalesca, seus autores e intérpretes. Com produção de Haroldo Costa e Paulo Roberto Direito, o Concurso vai resgatar a presença do verdadeiro samba de quadra, incentivando não apenas compositores experientes, mas também a turma jovem que, a cada dia, se mostra mais interessada no gênero. No ano passado, o Concurso recebeu quase 1000 inscrições.

O Concurso é dirigido a compositores, sambistas, carnavalescos, poetas, músicos e também a todos aqueles que gostam de samba e têm inspiração. As inscrições serão realizadas no período de 15 de setembro a 15 de outubro, na sede da Light – Avenida Marechal Floriano, 168, Centro.

Maiores informações:

telefone (21)7188-4755 e nos sites www.light.com.br ewww.radiceproducoes.com.br

O autor do melhor samba receberá um prêmio de R$ 5 mil. O segundo e o terceiro colocados serão contemplados com R$ 3 mil e R$ 2 mil, respectivamente.

O Concurso – A temática é livre e o samba deverá ser inédito. Entende-se como samba de quadra todo samba que é apresentado e divulgado nas quadras de escola de samba e blocos, com exceção do samba-enredo.

A inscrição do samba poderá ser realizada pessoalmente ou pelo Correio, com a entrega de material envelopado e lacrado: três CDs, com a gravação do samba inscrito e três cópias digitadas, impressas em papel A 4, com o título do samba, nome dos autores e letra na íntegra. Após as inscrições, que se encerram em 15 de outubro, serão selecionados 20 sambas para serem apresentados na semifinal, que classificará os 10 sambas concorrentes à grande final, dia 17 de fevereiro de 2011.

Samba do Monte homenageia João Nogueira em setembro

O Samba do Monte é uma celebração feita pela comunidade do bairro Jardim Monte Azul, na zona sul, na capital de São Paulo. Mulheres, homens, crianças e idosos se reúnem um domingo por mês para tocar e dançar canções brasileiras e resgatarem suas raízes.

“Fazer uma roda de samba de respeito”. Esse é o lema do Samba do Monte, grupo que nasceu em 12 de outubro, de 2008, formado por sambistas preocupados em manter e difundir sua tradição.

A ideia surgiu a partir de uma conversa de Jaime Lopes (Diko) para Ailton Augusto Vieira da Velha-Guarda da Tom Maior – uma das escolas de samba mais tradicionais de São Paulo –, que achou interessante e pediu um exemplo. “Agi na prática. Levei Ailton para conhecer uma das rodas de samba que freqüento e me inspirou essa idéia”, conta Diko entusiasmado.

Ailton adorou a sugestão e ficou fascinado: “‘Fecho com você’, mas eu quero organizar a roda”, disse. Diko, que é produtor, teve que concordar: “Velha Guarda é Velha Guarda; tem paciência, sabedoria e, principalmente, experiência”, justifica.

E foi com a ideia fixa em fazer uma roda de samba de raiz no bairro onde Diko nasceu e vive (Jardim Monte Azul), e recebendo elogio e apoio dos amigos, que o projeto rapidamente aconteceu.

A reunião começou entres os amigos: Ailton (Velha Guarda da Tom Maior), Marina Nicolau Vieira (Velha Guarda da Tom Maior e primeira-dama do Samba do Monte), Márcio (Mestre da bateria da escola de samba Tom Maior), André Marques, o “Déco”, Rogério, o “Formigão”, Sandro, o “Nego Véio” Renato Lopes e Roberta Vieira.

Com integrantes que participam da cultura carnavalesca, o projeto apresenta um repertório diversificado e com uma seleção do que há de melhor na história do samba, como Noel Rosa, Cartola, Clementina de Jesus, João Nogueira, Dona Ivone Lara, Clara Nunes, Candeia, entre outros. Parte das canções, como é natural de uma roda de samba, é feito no improviso. E composições próprias já estão em desenvolvimento.

A proposta do projeto é expandir a cultura afro-brasileira apresentando seus afluentes como a roda de samba, e assim promover diversão e atividades que integrem a comunidade. Mais do que simplesmente tocar, o ato traz identidade às pessoas.

Diferente do início da história do gênero musical, em que os negros eram discriminados e tidos como “vagabundos e malandros”, hoje são respeitados e tornaram-se os mestres das rodas de samba e desfiles carnavalescos, os mesmos que faziam o som com pandeiro de lata de goiabada e caixinha de fósforo. Dos tempos em que quase ninguém tinha televisão, a diversão era a reunião entre amigos, em que cada um levava o seu instrumento musical, surgindo assim uma roda de descontração, um momento de lazer – uma “roda de samba” de crioulos.

A roda que gera o samba – Hoje é tudo mais moderno e a roda de samba foi a responsável por manter essa tradição da cultura brasileira. “É a roda que gera o samba e não o samba que gera a roda: da Tia Ciata ao Cacique de Ramos”.

“A roda é a ambiência sonora que permitiu o aparecimento e, posteriormente, o desenvolvimento do samba”, cita o pesquisador Roberto M. Moura, no livro No Princípio, era a Roda, lançado em 2005 pela Editora Rocco.

Além de negros, hoje tem branco tocando cuíca e pandeiro; e até japonês participando de roda de samba na periferia, porque a cor está no sangue. “Samba é raiz, é vida, comunidade, felicidade: é a união sem preconceito de raça, credo, sexo e poder aquisitivo”, finaliza Diko.

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Local: Av. Tomas de Souza, 552 - Jd. Monte Azul - São Paulo


Contato: 11 - 5853 8089 - 6769 6206


Mais Informações: Participações de Feitiço de Mulher e Luca Lorenzi da Comunidade do Samba Jardim Jangadeiro

Império Serrano apresenta grande noite de seresta dançante e sucessos da MPB
Um espaço para o samba de raiz em Manaus
Grupo Canoeirose dedica à organização do ’Reduto do Samba’, que terá shows e aulas de música e dança.

Amigos reunidos, cavaquinhos e muito samba. A cena é comum. Mas a ideia é mais que uma roda de samba. A proposta do grupo Canoeiro é a criação, resgate e preservação do samba tradicional. Tudo de olho na Copa do Mundo em 2014.

O quintal arborizado, no bairro Cidade Nova 2, serve de palco para os sambistas e compositores Raimundinho Dutra (violão de contraponto), Bopp (cavaco), Paulinho (tantan), Vitório (afoxé) e José Rosário (pandeiro), que juntos dividem os vocais do grupo Canoeiro. O local, usado para ensaios e um encontro semanal, vai se transformar no ‘Espaço Cultural Reduto do Samba’. “Queremos resgatar a história do samba de raiz e preparar a nova geração para manter a tradição”, disse Bopp.

O espaço cultural terá aulas de música, dança e história do samba. A regra número um é estimular o samba ‘puro e original’, presente no trabalho de artistas como Benito de Paula e Paulinho da Viola, entre outros, como exemplifica Bopp. “Não terá nada de pagode, nada dessas bandas novas. Queremos fazer um regate do samba original, tradicional, incluindo os sambas- enredo”, disse.

As aulas serão na ‘Escolhinha do Futuro’, que dará prioridade para as crianças. Serão cursos de violão, viola, percussão e dança, como samba de gafieira, entre outros. “Queremos, principalmente, resgatar o samba local, de compositores como Chico da Silva, para que a nova geração tenha conhecimento de fato sobre essa arte”, disse Bopp.

Além de salas de aula, o ‘Reduto do Samba’ terá espaço para ensaios e para apresentações de artistas locais. Conforme Bopp, o grupo Canoeiro quer estimular novos compositores do samba em Manaus e transformar o local em uma referência do gênero até 2014. “Queremos exportar samba para o resto do Brasil e, quem sabe, do mundo. Estamos pensando na Copa, teremos muitos turistas por aqui”, disse.

Um dos frutos são 365 composições inéditas que fazem parte do projeto. Uma das músicas do grupo, a canção ‘Sangue de Guerreiro’, já foi gravada por Chico da Silva.

Conforme Bopp, os próprios integrantes estão financiando o projeto. A inauguração do ‘Espaço Cultural Reduto do Samba’ está marcada para o dia 2 de outubro, com uma feijoada. O endereço é Rua 77, casa 77, núcleo 14, Cidade Nova 2, zona norte. Informações: 9114-3260.

Roda de samba

O grupo Canoeiro já está esquentando os tamborins. Os músicos fazem uma prévia dos shows no quintal onde está sendo construído o ‘Espaço Cultural Reduto do Samba’. A apresentação ocorre todos os sábados, das 12h às 18h. “Até 2014, esse encontro nesse horário deverá ser mantido, para quem quiser ter uma tarde de samba”, afirmou Bopp.

ESTÃO ABERTAS AS INSCRIÇÕES PARA A ETAPA DE SETEMBRO DO PROJETO SAMBA DO COMPOSITOR PARANAENSE.

Você que gosta de fazer poesias, versos, canções etc, aproveite essaoportunidade para mostrar sua arte. Prêmio: Uma gravação profissional em estúdio. Inscrições: de 1 a 7 de Setembro, exclusivamente pelo site:www.sambadocompositorpr.com.br

* Leiam o regulamento

Emílio Santiago lança Só danço samba

Foto: Divulgação

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Experimente ouvir Só danço samba, o novo CD de Emílio Santiago, sem preconceitos. Pode acontecer de você não cair de amores por ele, mas não há como negar que se está diante de um excelente intérprete. O momento é de comemoração dos 40 anos de carreira de Emílio e o CD recupera seu passado de crooner.

No início dos anos 70, bem antes da era das aquarelas brasileiras - foram sete volumes, de 1988 a 1995, época em que vendeu mais de quatro milhões de discos e foi produzido por Roberto Menescal - um jovem estudante de direito carioca, de voz incrivelmente macia e suingue contagiante, começava a concorrer em festivais, a participar de programas de calouros e, finalmente, a cantar como crooner em clubes e boates do Rio de Janeiro.

Logo Emílio entraria para a orquestra de Ed Lincoln, o rei dos bailes, com a qual percorreria o Brasil inteiro botando muita gente para dançar juntinho. Daquela época, ele recuperou músicas hoje desconhecidas, como Olhou pra mim, Nunca mais (ambas de Lincoln e Sílvio Cesar) e Deix’ isso pra lá (de Ed Lincoln e Luiz Paulo).

Acrescentou também os sucessos atemporais Só danço samba (Tom Jobim e Vinicius de Moraes), Tendência (Dona Ivone Lara e Jorge Aragão), Samba de verão (Marcos Valle e Paulo Sérgio Valle), além de composições mais recentes, como Chega (Mart’nália e Mombaça), chamando grandes músicos para embalar a festa.

Terreirão do Samba com cara de casa de shows

Espaço vai virar point permanente de apresentações musicais a partir do ano que vem. Local vai ganhar botequins, lojas, banheiros e mais um palco para receber público ainda maior
Berço de sambistas, poetas e músicos desde a década de 30, o Terreirão do Samba vai sofrer a mais radical transformação desde que o espaço foi criado, em 1991. O secretário especial de Turismo e presidente da Riotur, Antonio Pedro Figueira de Mello, disse que a ideia é manter um calendário de atrações para o lugar abrir o ano inteiro, como acontece na Feira de Tradições Nordestinas, em São Cristóvão.

Para resgatar o ambiente do Rio Antigo, seis botequins serão construídos em arquitetura neoclássica, onde será possível saborear os tira-gostos mais famosos da cidade acompanhados pelo tradicional chope gelado. Quatro lojas de produtos ligados ao samba e dois palcos completam o cenário.

“Não será sofisticado, mas sim organizado, confortável e agradável. Queremos divulgar novos talentos do samba de raiz no palco menor, que deverá funcionar diariamente, e as grandes atrações se apresentariam no maior”, explicou o secretário Antonio Pedro.

O Palco João da Baiana, onde cantores e grupos de pagode já se apresentam durante o Carnaval, será remodelado e ganhará sonorização e iluminação modernas. O projeto vai incrementar a cultura popular. “O lance é obter uma atmosfera genuína de samba, com ambientes de botecos e bares das zonas Sul e Norte, onde os sambistas possam ser valorizados”, completou.

De acordo com o projeto, mais de 25 mil pessoas poderão circular no espaço, que será arborizado. Hoje, durante o Carnaval, 16 mil pessoas frequentam o lugar. “A revitalização vai acabar com os banheiros químicos. Haverá pontos adequados”, explicou.

De acordo com a Riotur, o edital de licitação será publicado no Diário Oficial até setembro, com as obras previstas para começar após o Carnaval de 2011. “Será um lugar para receber o carioca e o turista que gostam de samba de raiz”, avisou Antonio Pedro.

Ingressos poderão sair até de graça

Atrair patrocinadores para o projeto é o principal objetivo da Prefeitura do Rio. A Riotur já negocia com uma cervejaria a realização dos shows, o que permitirá a entrada do público de graça ou ingressos a preços populares.

“Será moderno, central, de fácil acesso, que tem tudo para se transformar num dos principais points da cidade para quem curte sambinha”, explicou Antonio Pedro. Os valores da obra não foram divulgados.


Bem que Cartola tentou

Em 1974, Cartola e sua mulher, Dona Zica, chegam a São Paulo para abrir um bar na Vila Formosa, zona leste. Se deu certo? Não. Mas as histórias ficaram para sempre

Paulo Saldaña - O Estado de S. Paulo

 



Seu Joca, em frente ao prédio onde funcionou o Zicartola, na Vila Formosa.


MARCIO FERNANDES/AE

A história do Rio de Janeiro tem um capítulo recheado de música e boa comida chamado Zicartola, o mítico bar aberto por Cartola e sua mulher, dona Zica, na década de 60. Esse símbolo do samba, poucos sabem, não é exclusividade dos cariocas. O bar que promoveu encontros memoráveis com gente do calibre de Zé Ketti, Nelson Cavaquinho, Paulinho da Viola, além do próprio anfitrião, viveu tempos paulistanos.
Foi em meados da década de 70 que o Zicartola, também sob o comando de Cartola na música e dona Zica na cozinha funcionou na afastada Vila Formosa, zona leste. Apesar de vida curta, menos de seis meses, a casa marcou história na biografia do casal Marília da Silva Chagas, de 70 anos, e João Ferreira Chagas, o Joca, de 80. Amigos de longa data do casal de honra da Mangueira, os dois foram sócios do bar da capital paulista.
A presença de Cartola é como uma trilha sonora das lembranças também povoadas pelo carinho de Euzébia Silva do Nascimento – a Dona Zica, falecida em 2003. Foi ali na sala daquela casa que surgira a ideia de remontar o saudoso Zicartola.
O ano era o de 1974. Cartola, então com 65 anos, visitava São Paulo para gravar o que seria seu primeiro disco. “Um dia estávamos conversando, enquanto eu fazia o almoço, e comentamos sobre abrir o bar num salão que estava vazio aqui perto. Cartola topou na hora”, conta Marília. Por pouco, aquela conversa não evoluiu para o que seria uma ‘segunda Mangueira’. “A ideia era abrir uma escola de samba. A gente com cinco filhos, tendo de correr atrás, não dava para pensar numa escola”, diz Joca.
Quando Cartola e dona Zica estavam em São Paulo, nada de hotel. Eles se hospedavam na casa de Marília e Joca. A confiança era fruto de uma amizade nascida em Mangueira, ainda no final da década de 40, quando Joca chegou ao Rio, vindo do Recife. Na capital carioca envolveu-se com o samba e conheceu outros mestres, como Carlos Cachaça. Por lá também encontrou Marília, moça paulista que passava uns tempos na casa de parentes. Em 1958 o casal já se mudou para São Paulo, casaram, tiveram os filhos, mas os laços verde e rosa sobreviveram.
O Zicartola paulistano funcionou na Rua Guaxupé, nº 893, em cima de uma padaria. “Aqui nem tinha asfalto, a rua era de paralelepípedo. Em volta, tudo era mato”, diz Joca. Os donos do prédio abraçaram o projeto e liberaram o aluguel. Marília lembra, com memória prodigiosa, que a inauguração ocorrera no dia 13 de dezembro de 1974, uma sexta-feira de tempo quente. “Quando o Zicartola abriu só vinha gente de faculdade, a rua ficava cheia de carros. Mas o pessoal daqui nem conhecia”, diz.
Quem visitou o botequim teve o privilégio de conhecer as habilidades culinárias de dona Zica e ouvir algumas das pérolas do samba na voz do compositor. Da cozinha, saíam delícias como xinxim de galinha, bobó de camarão e vatapá. O salão era grande e o palco se estendia por quatro metros quadrados. “Antes de cantar, o Cartola se sentava, tomava meia cerveja, conhaque e fumava seu cigarro”, conta Marília, que assumia o caixa. Quando subia ao palco, apenas composições próprias. “Fazia-se um silêncio para ouvi-lo.”
Com batidinhas na mesa e voz agitada pela emoção, Joca entoa, no meio da conversa, alguns dos clássicos que o mestre cantava, como “a sorrir eu pretendo levar a vida...” O olhar carinhoso de Marília para o marido evidencia as profundas raízes que o samba tem naquela família. Além do fundador da Mangueira, passaram por ali nomes como Dona Ivone Lara e Nelson Cavaquinho. Músicos da região leste também se revezavam, como os já esquecidos e nunca gravados Principais do Samba.
Abrir o Zicartola exigia esforço e doação. Toda sexta-feira, o casal vinha do Rio de Janeiro para São Paulo de trem. Nilcemar Nogueira, neta de Dona Zica e Cartola, lembra que a tentativa era remontar tudo que o Zicartola foi no Rio. “Os dois iam empolgados para São Paulo, o clima era bom e a proposta era a mesma. Mas a distância dificultou muito”, diz ela.
O desafio da locomoção e os compromissos que começavam a surgir para Cartola depois do primeiro disco o afastavam da capital paulista. Segundo Joca, o bar até que enchia, mas funcionava sem bilheteria. “Não dava para cobrar, o samba não tinha muita força por aqui”, diz ele. Em junho de 1975, o Zicartola de São Paulo já não abria mais, deixando apenas lembranças. “Quando o Nelson Cavaquinho vinha, ficávamos até de manhã fazendo serenata na porta”, lembra Marília. “Imagine se fosse hoje? Ia explodir”, reflete Joca, que garante não ter conseguido lucro com o empreendimento.
No lugar do Zicartola funciona atualmente uma academia de musculação. Nada remete às noites de samba de outrora. O asfalto já chegou, mas o bairro ainda mantém um ar provinciano, sem muitos prédios por perto e nenhuma vida boemia.
Em 1979, dois anos após Cartola voltar a desfilar na Mangueira, ele esteve na casa de Joca e Marília pela última vez. “Era gente muito boa, mas de falar pouco”, diz Joca. Quando morreu, em 1980, o casal não conseguiu ir ao Rio, mas ligaram para a família. Dona Zica continuou a aparecer até sua morte. “Era uma pessoa maravilhosa e bondosa. Apesar da simplicidade da casa, sempre preferia ficar aqui”, diz Marília.
Até hoje, quando a Mangueira desfila, a emoção se instala pela casa. Joca, que saiu na escola tocando tamborim por muitos anos, fica com olhos marejados quando canta os versos que, inspirados no amigo poeta, escreveu em homenagem à escola. “Brilha lá no céu uma estrela, iluminando a passarela pra ver a Mangueira passar.”

Samba se aprende na escola

Projetos desenvolvidos em Florianópolis alimentam sonhos e ajudam na formação de novos músicos

Tem gente que concorda com Noel Rosa: samba não se aprende no colégio. Mas experiências em Florianópolis mostram que a escola pode ajudar na formação de novos músicos.

Um dos exemplos é o Projeto Percussão Popular, da Faculdade Senac. Iniciativa do Ministério do Trabalho e Emprego em parceria com as escolas de samba da cidade, o curso é gratuito e os alunos recebem vale-transporte e material didático. As aulas acontecem no Centro e na Lagoa da Conceição. O músico Marcelo Dutra, 21 anos, dá aulas em duas turmas. Usa o espaço da Casa da Liberdade, anexo ao sambódromo, e tem cerca de 60 alunos. Os instrumentos são emprestados pela bateria da Protegidos da Princesa, onde é o mestre. Alguns são dos alunos.

Na Lagoa da Conceição, o trabalho é de responsabilidade de André FM. São cerca de 20 alunos. A parceria se deu por meio da União da Ilha da Magia. As aulas são na Estação UIM.

A avaliação do Senac é feita pelo critério competência. O aluno mostra se consegue resolver as atividades.

– O perfil é diversificado e o nível é muito bom. Temos alunos que já estão no mercado da música e que aproveitam para ampliar seus conhecimentos. Tenho certeza que vai sair coisa boa daqui – diz Marcelo Dutra.

Além de dar aulas no Senac, ele trabalha como professor de música contratado pela Secretaria de Assistência Social de Florianópolis – atua na formação de jovens no projeto Pró-Jovem. São 25 alunos.

– Neste caso, mais do que formar músico, o objetivo é o caráter social da atividade. São adolescentes de famílias de baixa renda e que não teriam condições de aprender a tocar em uma escola ou curso particular de música – diz o professor.

Experiência semelhante também desenvolve com a Escola de Samba Mirim Mensageiros da Alegria. Pelas aulas, no Colégio Celso Ramos, componentes da agremiação têm aulas de percussão. O objetivo é formar mestres e diretores de bateria para que a agremiação tenha seus ritmistas.

– Na Ilha, os batuques e ritmos estão disponíveis a quem buscar aprender, ou simplesmente apreciar. Rico ou pobre, quem estiver interessado tem a oportunidade de buscar o conhecimento – observa.

Além do trabalho social, Marcelo está envolvido com o projeto Toque de Mestre, que tem como objetivo maior aproximar os músicos da Ilha de Santa Catarina dos grandes artistas da música brasileira.

Centro Cultural Cartola cria Circuito do Samba
Acaba de ser aprovado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) um projeto do Centro Cultural Cartola (CCC) para certificar locais que fomentam o samba na cidade. Batizado de Circuito do Samba, o projeto tem como objetivo fortalecer os lugares de prática do samba de terreiro, do partido alto e do samba enredo. Patrocinado pelo Ministério da Cultura, por meio do Iphan, o Circuito Cultural do Samba terá duas fases principais. A primeira, que ocorrerá em dezembro, será a sinalização dos locais, com totens, e a criação de um site com informações sobre os locais do circuito. A segunda, prevista para 2011, contará com um ônibus que percorrerá pontos chave da cidade, levando exposições itinerantes e shows.

Na Grande Tijuca, os candidatos à certificação são o Pagode do Trabalhador, que acontece toda segunda-feira no Clube Renascença, e as escolas de samba Salgueiro e Vila Isabel. Na Zona Norte, alguns dos contemplados serão a Portelinha (sede da velha guarda da Portela) e o Cacique de Ramos.

— Ainda estamos definindo os critérios para a certificação, mas os principais parâmetros serão uma referência histórica do gênero e fomentar a prática e a divulgação do samba — explica Nilcemar Nogueira, neta de Cartola e coordenadora de projetos especiais do CCC.

Segundo Nilcemar, a iniciativa visa a preservar a identidade e as características das várias vertentes do gênero musical.

— É muito importante enaltecermos os baluartes do samba, aqueles que iniciaram a tradição e os valores desta arte numa época em que sofriam preconceito e eram até humilhados. Os jovens sambistas e outros artistas da MPB não existiriam sem eles — diz Pituka Nirobe, membro do Conselho do Samba do CCC e da diretoria cultural da Mocidade Independente de Padre Miguel.

Para Bira Presidente, fundador do Fundo de Quintal e presidente do Cacique de Ramos — que completa 50 anos em 2011 e é tombado como patrimônio cultural do Rio de Janeiro —, o projeto vai oferecer mais oportunidade e respeito a quem desenvolve um trabalho sério na área:

— O samba, que é tão respeitado no exterior, merecia um reconhecimento muito maior aqui dentro. Fundado em 2001, o Centro Cultural Cartola (www.cartola.org.br) é responsável pelo Centro de Referência de Pesquisa, reconhecido pelo Iphan como Pontão de Memória do Samba Carioca.

G.R.C.E.S.M. Nova Geração do Estácio de Sá presenta: Paulicéia Desvairada- 70 anos do Modernismo no Brasil(Enredo do G.R.E. S. Estácio de Sá Carnaval de 1992)


Uns chamam de reedição, outros de reinterpretação, mas a verdade é que as boas e velhas histórias sempre emocionam, nos deixando, por alguns instantes, mais felizes e até desvairados!

 

Setor 1 - A Inspiração!

A Semana de Arte Moderna continua influenciando a arte brasileira. O movimento modernista de 1922 representou uma verdadeira renovação de linguagem, revelando um Brasil em busca da liberdade de criação. A entrada do Modernismo Artístico e Literário em nosso país está relacionada com a arte que se faz hoje.

A inspiração pode vir de tudo. A própria vida está repleta de inspiração! As cores do arco-íris representam fontes inesgotáveis. Arco de cores, tonalidades e misturas. Ela chega desavisada, feito a garoa no Trianon ou até mesmo feito as imensas luas que enfeitam nossas noites! Clarões de idéias e o brilho de nossa escola exaltando a arte. Inspiração e transpiração. Poesia e melodia. Emoção e comoção. Raças e classes!

A arte feita pelo e para o povo. Inspirados nos capítulos em que a felicidade se torna protagonista, modernizamos, em poucos instantes, velhos conceitos e eternizamos as novas gerações! Seguimos cantado Paulicéias e Tropicálias mescladas de tradição e inovação!

 

 “Balança um samba de tamborim/Emite acordes dissonantes/Pelos cinco mil alto-falantes/Senhoras e senhores/Ele põe os olhos grandes/Sobre mim...”     Tropicália – Caetano Veloso
 
Setor 2 - Sacudindo as estruturas da arte tupiniquim

A busca da liberdade de criação rompeu com o passado apresentando novas idéias e conceitos artísticos.  1922 era o ano em que o país comemorava o primeiro centenário da Independência e os jovens modernistas pretendiam redescobrir o Brasil, libertando-o dos padrões estrangeiros. Encontrar novos dias percorrendo os muitos e sinuosos trilhos da imaginação nessa ciranda em que nós, meninos, brincamos. Com notas de brasilidade, pinceladas de uma malandragem quase poética e a preocupação em realizar uma arte tipicamente nacional, a Semana de 22 sacudiu os padrões estéticos europeus mais tradicionalistas, embora influenciada por eles. Dedilharam e interpretaram canções, declamaram poetas, fizeram a renovação saltar das telas!

 

Setor 3 – Tudo acaba em carnaval!

A alma brasileira habita em personagens de tirar o fôlego que viveram e vivem a transformação da cultura nacional durante o carnaval. Nessas transgressões autorizadas festeja-se a vida! Máscaras, losangos e brilhos apostando todo talento na felicidade! Mestiços, caboclos, mamelucos, mulatos, pardos, brancos, negros, gringos, mendigos, nobres, pobres, ricos, anônimos, sinônimos! O discurso do povo aposta no dom da intuição, deixando que o coração fale ou espalhe seu rastilho de valor através da cultura.Deixem que o país da tropicália sabe o que está fazendo, ouçam as vozes dessa geração e permitam que nossas crianças desçam de suas encantadas colinas para no asfalto fazer a festa!

 

 

Heriton Bakhury

Carnavalesco

 

Conheça a Sinopse do Enredo da Unidos de Padre Miguel‏
A Unidos de Padre Miguel entregou na noite desta quinta-feira (27/05), a
> sinopse do enredo "Hilária Batista de Almeida", dos carnavalescos Edward
> Moraes e Marcus Ferreira, para sua ala de compositores.
>
> No próximo dia 12 de junho, a partir das 14h, os carnavalescos irão
> ministrar nova palestra sobre o enredo e vão estar a disposição dos
> compositores para tirar dúvidas sobre o enredo.
>
> A direção da escola informa aos interessados que sua ala de compositores é
> aberta à toda comunidade do samba. Mais informações sobre o concurso que
> irá escolher o hino oficial da Unidos de Padre Miguel no Carnaval 2011,
> acesse o site da escola: www.unidosdepadremiguel.com.br.
>
> Confira a Sinopse da Unidos de Padre Miguel...
>
> JUSTIFICATIVA DO ENREDO
>
> ‘’Festa de Iemanjá (1978);
> O Quilombo dos Palmares (1984);
> Meu Irmão de Cor, Meu Irmão de Fé (1987);
> Valongo (1988);
> Bahia de Todos os Negros (2000) e
> No Reino das Águas de Olokum (2008). ’’
>
> Negra.
>
> Com um toque de africanidade que sempre fez bem a Unidos de Padre Miguel.
> Foi preciso olhar ao longo de seus 54 anos de história e resgatar a sua
> identidade.
>
> ´´Unidos´´ vestiremos turbantes, torço branco ou rodilha. Pescoço repleto
> de argolões e colares de búzios, a minha proteção. No ombro o xale de pano
> da costa e sobre o peito erguido uma blusa de cabeção rendado. Sobre o
> pulso firme traremos amuletos: balangandãs de prata, braceletes, pulseiras
> e cordões. A saia rodada nos veste e nos pés, chinelinhas de couro.
>
> Na alma: as mães de Santo. No coração: as mães do samba.
>
> Viemos contar a mãe de todas: Hilária Batista de Almeida.
>
> Nossa Mãe.
>
> SINOPSE DO ENREDO
>
> Ouçam o som dos Ilús! O Semba celebra a vida.
> Ifá, senhor do Destino.
> A luz de Òrun gera a vida, sua ancestralidade.
> Dos Yorubás valentes, a herança!
> Mãe África Ritual... Das Savanas ensolaradas.
> O Ventre do mundo.
>
> Bahia, Salvador. Em que seus pais escravos aportaram.
> Escrava nasceu, cresceu... Entre costumes afro-portugueses.
> Onde desfilam os Ranchos de Reis. Assistiu nas ruas e ladeiras...
> Procissões católicas, cheganças, pastoris... Bumba-meu-boi e baianos
> cucumbis.
> Por Bamboxê Obtikô no Terreiro da Casa Branca...
> Fez-se filha de Oxum, Senhora do amor e da beleza.
> Na Gira dos Batuqueiros, o Semba se fez Samba.
>
> Bahia, seu berço, seu chão... Sentirás saudades!
> Destino te guia rumo ao Rio de Janeiro.
> Seria a oferta de emprego na estiva, no cais.
> Nos antigos sobrados da Saúde, seu lar.
> À beira do cais... Vida simples. Pescadores, populares.
> Saudades, Hilário Jovino Ferreira e Mãe Baiana Bebiana.
> Fundadores dos primeiros ranchos... O Reis de Ouro.
> Que relembram o folclore nordestino de alegorias ao divino.
> Nas esquinas: quitandas, nas ruas: vendedores e artistas.
> Pioneiro terreiro de magia do irmão de fé João Alabá de Omulu.
> Tia Bebiana, Tia Mônica, Tia Amélia, Tia Carmem do Xibuca, Tia Perciliana,
> De santo irmãs! Torna-se Yakekêrê, mãe pequena.
>
> Pequena África de magia! Praça Onze... Um novo lar.
> Viveria dos quitutes baianos e das comidas típicas.
> Diziam que obtinhas o poder da cura... Não se avexem, são as mãos de Oxalá!
> Sua fama pela cidade percorria. Até as vestes ela alugaria.
> Verdadeiro reduto de sambistas, das rodas de samba.
> Do samba de terreiro, do Partido Alto.
> Samba criado pelos filhos das mães baianas
> Donga, Pixinguinha, Sinhô e João
> És uma verdadeira casa de samba, de bambas.
>
> Quem diria que os ranchos... Ganhariam alegorias.
> Negros que se vestiam em nobres. Belas damas.
> Da Malandragem nascente, filhos das mães baianas...
> Que formariam as primeiras escolas de samba.
> Dos primeiros pavilhões. Dos estandartes informando os enredos...
> Dos adereços. Das burrinhas de vime a bailar.
> Das nossas Baianas de Linha protegendo os sambistas.
>
> Esta aí senhora... Nascido em seu lar.
> Vejo-o com orgulho. O samba é seu, do Rio!
> Das nossas mães baianas do samba.
> De nossas cabrochas, da comunidade da Vila Vintém.
> A homenagem do meu Boi Vermelho, Unidos de Padre Miguel.
> Deixo meu Axé em branco, com sangue vermelho pulsante...
> À Hilária Batista de Almeida ou simplesmente Tia Ciata.
> Peço a sua proteção, minha mãe!
>
> Tia Rema
>
> (Elizete Cândida da Silva, 73 anos, nascida em dois de março de 1937. Tia
> Rema como é conhecida pela comunidade, é uma das figuras mais importantes
> da Unidos de Padre Miguel. A Mãe que embala uma grande geração de
> sambistas para a Vila Vintém.)
>
> Edward Moraes e Marcus Ferreira
>
> Carnavalescos
Paisagens do Rio de Janeiro guiam o enredo da São Clemente
Será a partir das paisagens do Rio de Janeiro, que a São Clemente homenageará a cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016. De acordo com o carnavalesco Fábio Ricardo, o enredo foi ideia do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional)e sugerido há dois anos para Fabinho quando ele ainda assinava os desfiles da Rocinha.

- O Mauro Chaves do Iphan propôs o enredo, mas para um grupo de acesso, o tema era muito rico e não caberia no grupo por conta da limitação de setores que nós temos no Acesso - contou Fabinho, em entrevista à Rádio Tupi.

Contratado no mês de março pela São Clemente, Fabio Ricardo já está na fase de produção dos desenhos. Ele levou entre sete a dez profissionais de sua equipe para escola da Zona Sul - Levei a minha "família" que trabalha comigo para se unir à família São Clemente.

De acordo com o carnavalesco, o enredo ainda não tem patrocínio, mas a escola ainda busca ajuda para realizar o carnaval, vinda do próprio Iphan. A festa de lançamento do tema e a entrega da sinopse será na próxima terça-feira na quadra da agremiação.
Emoção é o tema do enredo da Cubango para 2011
Com o título provisório de "A Emoção está no ar", a Acadêmicos do Cubango já definiu o enredo que levará para a Marquês de Sapucaí no sábado de carnaval.

O tema abordará a história da humanidade através das emoções que o homem sentiu ao longo dos tempos. O desenvolvimento do enredo será do carnavalesco Jaime Cezário, que está de volta à agremiação. Nos próximos dias, a escola oficializará o título e divulgará a sinopse.
Carlinhos de Jesus é da Beija-Flor
/Irapuã Jeferson/Divulgação/

Carlinhos de Jesus vai reforçar o time da Beija- Flor de Nilópolis no desfile de 2011, que terá como enredo a história de vida e da carreira do Rei Roberto Carlos. Carlinhos é o novo coreógrafo da comissão de frente da azul-e-branco.
A apresentação do dançarino à diretoria e a representantes dos segmentos da escola aconteceu na tarde desta quinta-feira, 27, no barracão da Beija-Flor, na Cidade do Samba, na Zona Portuária do Rio.

Carlinhos de Jesus coreografou as comissões de frente da Mangueira de 1998 a 2008. Nos dois últimos carnavais não comandou nenhuma comissão no Grupo Especial, mas este ano foi o responsável pela performance que a bateria da verde-rosa apresentou no desfile.

- É um orgulho e uma alegria muito grande chegar à Beija-Flor. Sempre admirei a escola, o Laíla (diretor de carnaval) e o Alexandre Louzada (carnavalesco). Depois de dois anos sem apresentar uma comissão de frente na Avenida, estou voltando para fazer o que mais gosto na vida.
Sou Em Cima da Hora, meu coração é mangueirense, mas agora estou na Beija-Flor. Sou profissional e tenho que pagar minhas contas - disse o mais novo integrante da escola de Neguinho da Beija-Flor.

Durante a apresentação, o diretor de carnaval Laíla informou que a sinopse do enredo que tem como título "A simplicidade de um rei" será entregue aos compositores do próximo dia 16, na quadra da escola, possivelmente com a presença do cantor e compositor Roberto Carlos.

Para o desfile em homenagem ao cantor, Laíla disse que a escola apresentará mudanças no visual como fantasias mais leves e sem resplendores. Ele também estuda a possibilidade de extinguir componentes em carros alegóricos, mantendo apenas os destaques principais.

Sobre um possível apoio financeiro da Nestlè, que patrocina a turnê de Roberto Carlos com o show que marca os 50 anos de carreira do Rei, o diretor de carnaval informou que há a possibilidade de patrocínio, mas que a diretoria da escola, até o momento, não manteve qualquer contato com a empresa.
São Clemente divulga sinopse do enredo para 2011
O seu, o meu, o nosso Rio, abençoado por Deus e bonito por natureza_*

Conselho Deliberativo da Criação Divina Lá longe e tão perto, eternizado em nossos corações, está Deus. Dada sua condição especial, onipresente e divino, Ele convoca todos os santos, anjos e arcanjos e institui o Conselho Deliberativo da Criação Divina. Transforma-os em incansáveis missionários para construir o mundo dos homens em sete dias. E afirma: - Dos sete, utilizarei dois para criar uma cidade admirável, esculpida pela própria natureza.

Em seguida, chama por São Clemente e São Sebastião e ordena-os: - Vocês serão responsáveis pela obra desta "cidade única". Descerão da criação divina ao plano material, levando o sopro à vida. Distribuirão mistérios por uma terra abundante de frutos, pássaros e peixes. Belas, igualmente únicas e belas, serão suas paisagens e suas águas cristalinas "azuis como a cor do mar". E ao término do cumprimento de minha ordem divina chamem-na de E Deus fez a Maravilha. Contudo, antes de partirem, o criador de todas as coisas designou os anjos Ariel, Gabriel e Raphael para a tarefa de fiscalizar as obras e a vida na cidade única por Ele planejada.

Rio: um porto desejado! A Maravilha de Deus é contemplada.
Os fenícios podem ter sido os primeiros que aqui chegaram. Eles vislumbram um "Rio Alado". Algumas inscrições gravadas no alto da Pedra da Gávea permitem fantasiar sobre esta versão indubitavelmente mágica em sintonia com a natureza.

O Rio torna-se alvo irresistível para os navegadores portugueses e franceses, que ávidos da majestosa natureza, travam batalhas por seu valor inestimável.
Deus percebendo a cobiça e o crescente desejo pelo domínio de sua menina dos olhos promove São Sebastião a santo padroeiro da cidade. Credita-se a São Sebastião, o bem-aventurado, parte do nosso futuro sucesso como cidade. Dada a batalha final, é ele quem surge na visão do consciente imaginário português motivando-o a vencer e expulsar os invasores, fundando-se a Cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.

Império Tropical
Vendo através dos olhos dos homens, o nosso divino arquiteto dá condições à vida...
A Família Real desembarca no Rio de Janeiro. É a época da política do "Ponha-se na Rua", nome dado, com senso de humor, pelos cariocas, que se inspiravam nas iniciais "PR", de Príncipe Regente, que eram gravadas na porta das casas requisitadas para os nobres portugueses.

A Divindade transforma-se em uma realidade histórica. É a fonte cristalina das águas do Rio carioca. Suas águas correm, suprem as necessidades de abastecimento e chegam aos homens. Tornam-se as águas do Rio, dos escravos agueiros, dos caminhos dos aquedutos, das mães-d´água: das bicas públicas, dos chafarizes, das casas dos nobres.

Águas que molham o canto das lavadeiras nos riachos e atiçam o imaginário carioca: mulheres que delas bebiam ficavam formosas e os homens recuperavam o vigor físico. Seguindo o caminho das águas do Rio, a sabedoria divina é observada na natureza. Emerge da terra macia e fértil uma deslumbrante floresta urbana. Depois de emitidos os relatórios pelos anjos consultores de Deus, visando garantir a comunhão entre a natureza e a cultura dos seres humanos, conclui-se a Floresta que se denominou Floresta da Tijuca. Não obedecendo à ordem existente, o homem, nela, cultivou o plantio do café. A cafeicultura se espalhou rapidamente por grande parte do Maciço da Tijuca, ocasionando forte desmatamento, o que levou os barões e os senhores do café, os nobres e a crescente população da capital do Império a sentirem a ira de Deus.

Como resposta, atribui aos homens consequências desastrosas como as severas secas que atingiram o Rio de Janeiro, criando um problema periódico de falta d’água para a cidade carioca. Como se não bastasse, o governo imperial foi responsabilizado por um programa emergencial de preservação dos mananciais e do replantio das árvores da Floresta da Tijuca, seguido das desapropriações das fazendas cafeeiras da região.

Em contrapartida, o governo propôs o cultivo de um jardim, com o intuito de estimular a aclimatação e a cultura de especiarias exóticas vindas das Índias Orientais. A fluida terra desse jardim, nomeado, inicialmente, de Real Horto, Real Jardim Botânico e, finalmente, de Jardim Botânico do Rio de Janeiro, semeou-se de novas opções de plantio.

Nele, a mão de obra chinesa foi utilizada para testar a receptividade do solo carioca ao cultivo do chá. Contudo, diante da experiência marcada pelo insucesso, os chineses foram aproveitados para abrir uma via carroçável. Nesta obra, teriam feito seu acampamento onde hoje está localizada a Vista Chinesa, dando origem desta maneira a um dos mais belos mirantes da cidade do Rio.

Modernismo Carioca São Clemente e São Sebastião, após se reunirem com os anjos fiscais das obras divinas, chegam à conclusão que devem, mesmo sabendo da
conformação geográfica da cidade (constituída de elevações, lagoas e pântanos), encaminhar, para a aprovação do Conselho Deliberativo da Criação Divina, o programa urbanístico do engenheiro e prefeito Pereira Passos, que visa transformar a antiga cidade imperial em uma metrópole cosmopolita.

Sob esta ação, inicia-se no centro carioca uma grande intervenção. Em pouco tempo as picaretas do progresso abrem à cidade as vias da modernidade. Construção de grandes e largas avenidas, de praças e jardins; revitalização do cais do porto e arborização da Avenida
Beira-Mar.

Entre planos estratégicos, riscos e traços, o Rio civiliza-se e é"rebatizado" de Cidade Maravilhosa. Conta-se, inclusive, que nessa época, Deus para proteger os seres aterrados, nomeou São Jorge como General da Guanabara. E salve Jorge!

Os princípios do projetar moderno, contudo, somente são aplicados nas décadas seguintes pelo estudo urbanístico do arquiteto Alfred Agache e dos projetos doarquiteto-paisagista Roberto Burle Marx que, entre outros, assina o projeto paisagístico do Parque do Flamengo.

Nesse contexto de grandes transformações, os belos cenários urbanos projetados e ordenados pelos novos meios técnicos do homem conjugam harmoniosamente as paisagens do Rio, possibilitando uma gestão cultural à altura do que a cidade única idealizada por Deus merece.

Música: a paisagem do Rio A música é um dom divino. O som está por toda parte. É pura ilusão achar que a natureza é silenciosa. A paisagem do Rio de janeiro situa-se no horizonte musical do carioca Villa-Lobos, que incorporou o folclore brasileiro às seduções urbanas do Rio de Janeiro; e no repertório original da pianista Chiquinha Gonzaga, autora da primeira marcha carnavalesca "Ô Abre-Alas".

Sobre as formas populares situa-se nos "chorões" das composições de Pixinguinha e nos aspectos mais descontraídos como o samba e todas as músicas de inspiração rítmica, que descem dos morros e interagem com a cidade. A Bossa Nova, o mais carioca dos estilos musicais, é o Rio que inspira "no doce balanço a caminho do mar". É a paisagem musical que canta a paixão do carioca pelo Rio, a benção divina que, de braços abertos, ilumina a vida, a diversidade de cores e de sabores, de flertes e de olhares, e de muitos amores.
A Bossa Nova gira em 78 rotações e redescobre o Rio de Janeiro. Universaliza, revoluciona, rompe fronteiras e leva a música do Brasil aos quatro cantos do mundo.

Rio Cidade!
Muito antes, o divino criador já anunciava: é preciso ter fé e redenção. Cuidados com a cidade para sua preservação... Mais de 400 anos se passaram e a cidade única planejada por Deus é dominada pela Lei do mais forte, "que dita as normas e causa algumas imperfeições à cidade".

Não se vê mais o todo: a vida, as águas, a terra. A cidade cresce desordenadamente. O Homem autoriza, polui, e a "pobreza" chancela a construção em terras invadidas e em áreas inadequadas. As consequências são drásticas! Salve-se quem puder. Engarrafamentos, enchentes, deslizamentos, lixo, injustiças sociais e epidemias.
Esses efeitos chamam a atenção do nosso divino arquiteto, que intervém lançando um desafio para a cidade: no lugar do "progresso" e do crescimento ilimitado, hostil para a natureza do Rio, devem-se convocar todos os engenheiros, arquitetos e paisagistas e criar um grande planejamento para a reconstrução urbana da cidade. Isto porque, o Rio haverá de ser o responsável pela realização de dois grandes eventos mundiais.
Eis o meu desafio para garantir as condições de continuidade à vida nesta cidade.
Ser Carioca é...
Ser abençoado por Deus e bonito por natureza.
Ser carioca ou não, é se reconhecer na paisagem do Rio, nos seus
morros, na sua geografia humana e nos seus estados de espírito.
Ser carioca é sermos nós. São nossas manifestações, nossos costumes, nosso sotaque, nosso jeito de ser e nossa alegria de sermos lembrados e vistos em diversos pontos do mundo.
Ser carioca é manter a aliança divina, quando contemplamos a beleza de um pôr do sol.
É uma explosão de cores. São encantos mil. É ser blasé com a própria rotina, é sorrir para o surreal, confiando nos próprios instintos.
É ser patrimônio cultural e observar a cidade em 360 graus.
Contudo, ser carioca é torcer pela carioquíssima São Clemente, é ser o
Rio que eu canto e exalto, o mesmo Rio que Deus protege e cuida lá do alto.

Créditos:
Carnavalesco: Fábio Ricardo
Pesquisa e texto: Marcos Roza
Idéia original: Mauro Chaves
Desenvolvimento do enredo: Fábio Ricardo e Marcos Roza
Revisão e copidesque: Márcia Rinaldi

*Bibliografia consultada:*
BOFF, Leonardo. Uma declaração: os Direitos da Mãe Terra. Jornal do
Brasil, Rio de Janeiro, 3 de mai. 2010, p. A11.
COLASANTI, Marina; PINHEIRO, Augusto Ivan de Freitas. Rio de Janeiro
360º. Rio de Janeiro: Priuli & Verlucca editori, 1997.
LODI, Maria Cristina Vereza. Dossiê da Candidatura do Rio de Janeiro a
Patrimônio Mundial, na categoria "Paisagem Cultural" - IPHAN, dez. de 2009.
NEVES, Margarida de Souza. A Cidade e Paisagem. In: MARTINS, Carlos (org). Paisagem Carioca. Rio de Janeiro, MAM, 2000.
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