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CONFETES E SERPENTINAS |
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RÁDIO BERÇO DO SAMBA |
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GRUPO BERÇO DO SAMBA
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| 3º Concurso de Samba de Quadra
tem inscrições de 15/09 a 15/10 |
| Devido ao grande sucesso das duas primeiras edições,
em 2008 e 2009, vem aí o 3º Concurso de Samba de
Quadra, evento pioneiro apresentado pela Light para valorizar
a música carnavalesca, seus autores e intérpretes.
Com produção de Haroldo Costa e Paulo Roberto
Direito, o Concurso vai resgatar a presença do verdadeiro
samba de quadra, incentivando não apenas compositores
experientes, mas também a turma jovem que, a cada dia,
se mostra mais interessada no gênero. No ano passado,
o Concurso recebeu quase 1000 inscrições.
O Concurso é dirigido a compositores, sambistas, carnavalescos,
poetas, músicos e também a todos aqueles que
gostam de samba e têm inspiração. As inscrições
serão realizadas no período de 15 de setembro
a 15 de outubro, na sede da Light – Avenida Marechal
Floriano, 168, Centro.
Maiores informações:
telefone (21)7188-4755 e nos sites www.light.com.br ewww.radiceproducoes.com.br
O autor do melhor samba receberá um prêmio de
R$ 5 mil. O segundo e o terceiro colocados serão contemplados
com R$ 3 mil e R$ 2 mil, respectivamente.
O Concurso – A temática é livre e o samba
deverá ser inédito. Entende-se como samba de
quadra todo samba que é apresentado e divulgado nas
quadras de escola de samba e blocos, com exceção
do samba-enredo.
A inscrição do samba poderá ser realizada
pessoalmente ou pelo Correio, com a entrega de material envelopado
e lacrado: três CDs, com a gravação do
samba inscrito e três cópias digitadas, impressas
em papel A 4, com o título do samba, nome dos autores
e letra na íntegra. Após as inscrições,
que se encerram em 15 de outubro, serão selecionados
20 sambas para serem apresentados na semifinal, que classificará
os 10 sambas concorrentes à grande final, dia 17 de
fevereiro de 2011.
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| Samba do Monte homenageia João
Nogueira em setembro |

O Samba do Monte é uma celebração feita
pela comunidade do bairro Jardim Monte Azul, na zona sul,
na capital de São Paulo. Mulheres, homens, crianças
e idosos se reúnem um domingo por mês para tocar
e dançar canções brasileiras e resgatarem
suas raízes.
“Fazer uma roda de samba de respeito”. Esse é
o lema do Samba do Monte, grupo que nasceu em 12 de outubro,
de 2008, formado por sambistas preocupados em manter e difundir
sua tradição.
A ideia surgiu a partir de uma conversa de Jaime Lopes (Diko)
para Ailton Augusto Vieira da Velha-Guarda da Tom Maior –
uma das escolas de samba mais tradicionais de São Paulo
–, que achou interessante e pediu um exemplo. “Agi
na prática. Levei Ailton para conhecer uma das rodas
de samba que freqüento e me inspirou essa idéia”,
conta Diko entusiasmado.
Ailton adorou a sugestão e ficou fascinado: “‘Fecho
com você’, mas eu quero organizar a roda”,
disse. Diko, que é produtor, teve que concordar: “Velha
Guarda é Velha Guarda; tem paciência, sabedoria
e, principalmente, experiência”, justifica.
E foi com a ideia fixa em fazer uma roda de samba de raiz
no bairro onde Diko nasceu e vive (Jardim Monte Azul), e recebendo
elogio e apoio dos amigos, que o projeto rapidamente aconteceu.
A reunião começou entres os amigos: Ailton
(Velha Guarda da Tom Maior), Marina Nicolau Vieira (Velha
Guarda da Tom Maior e primeira-dama do Samba do Monte), Márcio
(Mestre da bateria da escola de samba Tom Maior), André
Marques, o “Déco”, Rogério, o “Formigão”,
Sandro, o “Nego Véio” Renato Lopes e Roberta
Vieira.
Com integrantes que participam da cultura carnavalesca, o
projeto apresenta um repertório diversificado e com
uma seleção do que há de melhor na história
do samba, como Noel Rosa, Cartola, Clementina de Jesus, João
Nogueira, Dona Ivone Lara, Clara Nunes, Candeia, entre outros.
Parte das canções, como é natural de
uma roda de samba, é feito no improviso. E composições
próprias já estão em desenvolvimento.
A proposta do projeto é expandir a cultura afro-brasileira
apresentando seus afluentes como a roda de samba, e assim
promover diversão e atividades que integrem a comunidade.
Mais do que simplesmente tocar, o ato traz identidade às
pessoas.
Diferente do início da história do gênero
musical, em que os negros eram discriminados e tidos como
“vagabundos e malandros”, hoje são respeitados
e tornaram-se os mestres das rodas de samba e desfiles carnavalescos,
os mesmos que faziam o som com pandeiro de lata de goiabada
e caixinha de fósforo. Dos tempos em que quase ninguém
tinha televisão, a diversão era a reunião
entre amigos, em que cada um levava o seu instrumento musical,
surgindo assim uma roda de descontração, um
momento de lazer – uma “roda de samba” de
crioulos.
A roda que gera o samba – Hoje é tudo mais moderno
e a roda de samba foi a responsável por manter essa
tradição da cultura brasileira. “É
a roda que gera o samba e não o samba que gera a roda:
da Tia Ciata ao Cacique de Ramos”.
“A roda é a ambiência sonora que permitiu
o aparecimento e, posteriormente, o desenvolvimento do samba”,
cita o pesquisador Roberto M. Moura, no livro No Princípio,
era a Roda, lançado em 2005 pela Editora Rocco.
Além de negros, hoje tem branco tocando cuíca
e pandeiro; e até japonês participando de roda
de samba na periferia, porque a cor está no sangue.
“Samba é raiz, é vida, comunidade, felicidade:
é a união sem preconceito de raça, credo,
sexo e poder aquisitivo”, finaliza Diko.
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Local: Av. Tomas de Souza, 552 - Jd. Monte Azul - São
Paulo
Contato: 11 - 5853 8089 - 6769 6206
Mais Informações: Participações
de Feitiço de Mulher e Luca Lorenzi da Comunidade do
Samba Jardim Jangadeiro
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| Império Serrano apresenta
grande noite de seresta dançante e sucessos da MPB |
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| Um espaço para o samba de
raiz em Manaus |
Grupo Canoeirose dedica à organização
do ’Reduto do Samba’, que terá shows e
aulas de música e dança.
Amigos reunidos, cavaquinhos e muito samba.
A cena é comum. Mas a ideia é mais que uma roda
de samba. A proposta do grupo Canoeiro é a criação,
resgate e preservação do samba tradicional.
Tudo de olho na Copa do Mundo em 2014.
O quintal arborizado, no bairro Cidade Nova
2, serve de palco para os sambistas e compositores Raimundinho
Dutra (violão de contraponto), Bopp (cavaco), Paulinho
(tantan), Vitório (afoxé) e José Rosário
(pandeiro), que juntos dividem os vocais do grupo Canoeiro.
O local, usado para ensaios e um encontro semanal, vai se
transformar no ‘Espaço Cultural Reduto do Samba’.
“Queremos resgatar a história do samba de raiz
e preparar a nova geração para manter a tradição”,
disse Bopp.
O espaço cultural terá aulas
de música, dança e história do samba.
A regra número um é estimular o samba ‘puro
e original’, presente no trabalho de artistas como Benito
de Paula e Paulinho da Viola, entre outros, como exemplifica
Bopp. “Não terá nada de pagode, nada dessas
bandas novas. Queremos fazer um regate do samba original,
tradicional, incluindo os sambas- enredo”, disse.
As aulas serão na ‘Escolhinha
do Futuro’, que dará prioridade para as crianças.
Serão cursos de violão, viola, percussão
e dança, como samba de gafieira, entre outros. “Queremos,
principalmente, resgatar o samba local, de compositores como
Chico da Silva, para que a nova geração tenha
conhecimento de fato sobre essa arte”, disse Bopp.
Além de salas de aula, o ‘Reduto
do Samba’ terá espaço para ensaios e para
apresentações de artistas locais. Conforme Bopp,
o grupo Canoeiro quer estimular novos compositores do samba
em Manaus e transformar o local em uma referência do
gênero até 2014. “Queremos exportar samba
para o resto do Brasil e, quem sabe, do mundo. Estamos pensando
na Copa, teremos muitos turistas por aqui”, disse.
Um dos frutos são 365 composições
inéditas que fazem parte do projeto. Uma das músicas
do grupo, a canção ‘Sangue de Guerreiro’,
já foi gravada por Chico da Silva.
Conforme Bopp, os próprios integrantes
estão financiando o projeto. A inauguração
do ‘Espaço Cultural Reduto do Samba’ está
marcada para o dia 2 de outubro, com uma feijoada. O endereço
é Rua 77, casa 77, núcleo 14, Cidade Nova 2,
zona norte. Informações: 9114-3260.
Roda de samba
O grupo Canoeiro já está esquentando
os tamborins. Os músicos fazem uma prévia dos
shows no quintal onde está sendo construído
o ‘Espaço Cultural Reduto do Samba’. A
apresentação ocorre todos os sábados,
das 12h às 18h. “Até 2014, esse encontro
nesse horário deverá ser mantido, para quem
quiser ter uma tarde de samba”, afirmou Bopp. |
| ESTÃO ABERTAS AS INSCRIÇÕES
PARA A ETAPA DE SETEMBRO DO PROJETO SAMBA DO COMPOSITOR PARANAENSE.
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Você que gosta de fazer poesias, versos, canções
etc, aproveite essaoportunidade para mostrar sua arte. Prêmio:
Uma gravação profissional em estúdio.
Inscrições: de 1 a 7 de Setembro, exclusivamente
pelo site:www.sambadocompositorpr.com.br
* Leiam o regulamento |
Emílio Santiago lança
Só danço samba |
Foto: Divulgação
Experimente ouvir Só danço samba, o
novo CD de Emílio Santiago, sem preconceitos. Pode
acontecer de você não cair de amores por ele,
mas não há como negar que se está diante
de um excelente intérprete. O momento é de comemoração
dos 40 anos de carreira de Emílio e o CD recupera seu
passado de crooner.
No início dos anos 70, bem antes da era das aquarelas
brasileiras - foram sete volumes, de 1988 a 1995, época
em que vendeu mais de quatro milhões de discos e foi
produzido por Roberto Menescal - um jovem estudante de direito
carioca, de voz incrivelmente macia e suingue contagiante,
começava a concorrer em festivais, a participar de
programas de calouros e, finalmente, a cantar como crooner
em clubes e boates do Rio de Janeiro.
Logo Emílio entraria para a orquestra de Ed Lincoln,
o rei dos bailes, com a qual percorreria o Brasil inteiro
botando muita gente para dançar juntinho. Daquela época,
ele recuperou músicas hoje desconhecidas, como Olhou
pra mim, Nunca mais (ambas de Lincoln e Sílvio
Cesar) e Deix’ isso pra lá (de Ed Lincoln
e Luiz Paulo).
Acrescentou também os sucessos atemporais Só
danço samba (Tom Jobim e Vinicius de Moraes),
Tendência (Dona Ivone Lara e Jorge Aragão),
Samba de verão (Marcos Valle e Paulo Sérgio
Valle), além de composições mais recentes,
como Chega (Mart’nália e Mombaça),
chamando grandes músicos para embalar a festa.
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Terreirão do Samba com
cara de casa de shows |
Espaço vai virar point permanente
de apresentações musicais a partir do ano que
vem. Local vai ganhar botequins, lojas, banheiros e mais um
palco para receber público ainda maior
Berço de sambistas, poetas e músicos desde a
década de 30, o Terreirão do Samba vai sofrer
a mais radical transformação desde que o espaço
foi criado, em 1991. O secretário especial de Turismo
e presidente da Riotur, Antonio Pedro Figueira de Mello, disse
que a ideia é manter um calendário de atrações
para o lugar abrir o ano inteiro, como acontece na Feira de
Tradições Nordestinas, em São Cristóvão.
Para resgatar o ambiente do Rio Antigo, seis botequins serão
construídos em arquitetura neoclássica, onde
será possível saborear os tira-gostos mais famosos
da cidade acompanhados pelo tradicional chope gelado. Quatro
lojas
de produtos ligados ao samba e dois palcos completam o cenário.
“Não será sofisticado,
mas sim organizado, confortável e agradável.
Queremos divulgar novos talentos do samba de raiz no palco
menor, que deverá funcionar diariamente, e as grandes
atrações se apresentariam no maior”, explicou
o secretário Antonio Pedro.
O Palco João da Baiana, onde cantores e grupos de pagode
já se apresentam durante o Carnaval, será remodelado
e ganhará sonorização e iluminação
modernas. O projeto
vai incrementar a cultura popular. “O lance é
obter uma atmosfera genuína de samba, com ambientes
de botecos e bares das zonas Sul e Norte, onde os sambistas
possam ser valorizados”, completou.
De acordo com o projeto,
mais de 25 mil pessoas poderão circular no espaço,
que será arborizado. Hoje, durante o Carnaval, 16 mil
pessoas frequentam o lugar. “A revitalização
vai acabar com os banheiros químicos. Haverá
pontos adequados”, explicou.
De acordo com a Riotur, o edital de licitação
será publicado no Diário Oficial até
setembro, com as obras previstas para começar após
o Carnaval de 2011. “Será um lugar para receber
o carioca e o turista que gostam de samba de raiz”,
avisou Antonio Pedro.
Ingressos poderão sair até de graça
Atrair patrocinadores para o projeto é o principal
objetivo da Prefeitura do Rio. A Riotur já negocia
com uma cervejaria a realização dos shows, o
que permitirá a entrada do público de graça
ou ingressos a preços populares.
“Será moderno, central, de fácil acesso,
que tem tudo para se transformar num dos principais points
da cidade para quem curte sambinha”, explicou Antonio
Pedro. Os valores da obra não foram divulgados.
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Bem que Cartola tentou |
Em 1974, Cartola e sua mulher, Dona Zica,
chegam a São Paulo para abrir um bar na Vila Formosa,
zona leste. Se deu certo? Não. Mas as histórias
ficaram para sempre
Paulo Saldaña - O Estado de S. Paulo

Seu Joca, em frente ao prédio onde funcionou o Zicartola,
na Vila Formosa.
MARCIO FERNANDES/AE
A história do Rio de Janeiro tem um
capítulo recheado de música e boa comida chamado
Zicartola, o mítico bar aberto por Cartola e sua mulher,
dona Zica, na década de 60. Esse símbolo do
samba, poucos sabem, não é exclusividade dos
cariocas. O bar que promoveu encontros memoráveis com
gente do calibre de Zé Ketti, Nelson Cavaquinho, Paulinho
da Viola, além do próprio anfitrião,
viveu tempos paulistanos.
Foi em meados da década de 70 que o Zicartola, também
sob o comando de Cartola na música e dona Zica na cozinha
funcionou na afastada Vila Formosa, zona leste. Apesar de
vida curta, menos de seis meses, a casa marcou história
na biografia do casal Marília da Silva Chagas, de 70
anos, e João Ferreira Chagas, o Joca, de 80. Amigos
de longa data do casal de honra da Mangueira, os dois foram
sócios do bar da capital paulista.
A presença de Cartola é como uma trilha sonora
das lembranças também povoadas pelo carinho
de Euzébia Silva do Nascimento – a Dona Zica,
falecida em 2003. Foi ali na sala daquela casa que surgira
a ideia de remontar o saudoso Zicartola.
O ano era o de 1974. Cartola, então com 65 anos, visitava
São Paulo para gravar o que seria seu primeiro disco.
“Um dia estávamos conversando, enquanto eu fazia
o almoço, e comentamos sobre abrir o bar num salão
que estava vazio aqui perto. Cartola topou na hora”,
conta Marília. Por pouco, aquela conversa não
evoluiu para o que seria uma ‘segunda Mangueira’.
“A ideia era abrir uma escola de samba. A gente com
cinco filhos, tendo de correr atrás, não dava
para pensar numa escola”, diz Joca.
Quando Cartola e dona Zica estavam em São Paulo, nada
de hotel. Eles se hospedavam na casa de Marília e Joca.
A confiança era fruto de uma amizade nascida em Mangueira,
ainda no final da década de 40, quando Joca chegou
ao Rio, vindo do Recife. Na capital carioca envolveu-se com
o samba e conheceu outros mestres, como Carlos Cachaça.
Por lá também encontrou Marília, moça
paulista que passava uns tempos na casa de parentes. Em 1958
o casal já se mudou para São Paulo, casaram,
tiveram os filhos, mas os laços verde e rosa sobreviveram.
O Zicartola paulistano funcionou na Rua Guaxupé, nº
893, em cima de uma padaria. “Aqui nem tinha asfalto,
a rua era de paralelepípedo. Em volta, tudo era mato”,
diz Joca. Os donos do prédio abraçaram o projeto
e liberaram o aluguel. Marília lembra, com memória
prodigiosa, que a inauguração ocorrera no dia
13 de dezembro de 1974, uma sexta-feira de tempo quente. “Quando
o Zicartola abriu só vinha gente de faculdade, a rua
ficava cheia de carros. Mas o pessoal daqui nem conhecia”,
diz.
Quem visitou o botequim teve o privilégio de conhecer
as habilidades culinárias de dona Zica e ouvir algumas
das pérolas do samba na voz do compositor. Da cozinha,
saíam delícias como xinxim de galinha, bobó
de camarão e vatapá. O salão era grande
e o palco se estendia por quatro metros quadrados. “Antes
de cantar, o Cartola se sentava, tomava meia cerveja, conhaque
e fumava seu cigarro”, conta Marília, que assumia
o caixa. Quando subia ao palco, apenas composições
próprias. “Fazia-se um silêncio para ouvi-lo.”
Com batidinhas na mesa e voz agitada pela emoção,
Joca entoa, no meio da conversa, alguns dos clássicos
que o mestre cantava, como “a sorrir eu pretendo levar
a vida...” O olhar carinhoso de Marília para
o marido evidencia as profundas raízes que o samba
tem naquela família. Além do fundador da Mangueira,
passaram por ali nomes como Dona Ivone Lara e Nelson Cavaquinho.
Músicos da região leste também se revezavam,
como os já esquecidos e nunca gravados Principais do
Samba.
Abrir o Zicartola exigia esforço e doação.
Toda sexta-feira, o casal vinha do Rio de Janeiro para São
Paulo de trem. Nilcemar Nogueira, neta de Dona Zica e Cartola,
lembra que a tentativa era remontar tudo que o Zicartola foi
no Rio. “Os dois iam empolgados para São Paulo,
o clima era bom e a proposta era a mesma. Mas a distância
dificultou muito”, diz ela.
O desafio da locomoção e os compromissos que
começavam a surgir para Cartola depois do primeiro
disco o afastavam da capital paulista. Segundo Joca, o bar
até que enchia, mas funcionava sem bilheteria. “Não
dava para cobrar, o samba não tinha muita força
por aqui”, diz ele. Em junho de 1975, o Zicartola de
São Paulo já não abria mais, deixando
apenas lembranças. “Quando o Nelson Cavaquinho
vinha, ficávamos até de manhã fazendo
serenata na porta”, lembra Marília. “Imagine
se fosse hoje? Ia explodir”, reflete Joca, que garante
não ter conseguido lucro com o empreendimento.
No lugar do Zicartola funciona atualmente uma academia de
musculação. Nada remete às noites de
samba de outrora. O asfalto já chegou, mas o bairro
ainda mantém um ar provinciano, sem muitos prédios
por perto e nenhuma vida boemia.
Em 1979, dois anos após Cartola voltar a desfilar na
Mangueira, ele esteve na casa de Joca e Marília pela
última vez. “Era gente muito boa, mas de falar
pouco”, diz Joca. Quando morreu, em 1980, o casal não
conseguiu ir ao Rio, mas ligaram para a família. Dona
Zica continuou a aparecer até sua morte. “Era
uma pessoa maravilhosa e bondosa. Apesar da simplicidade da
casa, sempre preferia ficar aqui”, diz Marília.
Até hoje, quando a Mangueira desfila, a emoção
se instala pela casa. Joca, que saiu na escola tocando tamborim
por muitos anos, fica com olhos marejados quando canta os
versos que, inspirados no amigo poeta, escreveu em homenagem
à escola. “Brilha lá no céu uma
estrela, iluminando a passarela pra ver a Mangueira passar.” |
Samba se aprende na escola |
Projetos desenvolvidos em Florianópolis
alimentam sonhos e ajudam na formação de novos
músicos
Tem gente que concorda com Noel Rosa: samba
não se aprende no colégio. Mas experiências
em Florianópolis mostram que a escola pode ajudar na
formação de novos músicos.
Um dos exemplos é o Projeto Percussão Popular,
da Faculdade Senac. Iniciativa do Ministério do Trabalho
e Emprego em parceria com as escolas de samba da cidade, o
curso é gratuito e os alunos recebem vale-transporte
e material didático. As aulas acontecem no Centro e
na Lagoa da Conceição. O músico Marcelo
Dutra, 21 anos, dá aulas em duas turmas. Usa o espaço
da Casa da Liberdade, anexo ao sambódromo, e tem cerca
de 60 alunos. Os instrumentos são emprestados pela
bateria da Protegidos da Princesa, onde é o mestre.
Alguns são dos alunos.
Na Lagoa da Conceição, o trabalho é de
responsabilidade de André FM. São cerca de 20
alunos. A parceria se deu por meio da União da Ilha
da Magia. As aulas são na Estação UIM.
A avaliação do Senac é feita pelo critério
competência. O aluno mostra se consegue resolver as
atividades.
– O perfil é diversificado e o nível é
muito bom. Temos alunos que já estão no mercado
da música e que aproveitam para ampliar seus conhecimentos.
Tenho certeza que vai sair coisa boa daqui – diz Marcelo
Dutra.
Além de dar aulas no Senac, ele trabalha como professor
de música contratado pela Secretaria de Assistência
Social de Florianópolis – atua na formação
de jovens no projeto Pró-Jovem. São 25 alunos.
– Neste caso, mais do que formar músico, o objetivo
é o caráter social da atividade. São
adolescentes de famílias de baixa renda e que não
teriam condições de aprender a tocar em uma
escola ou curso particular de música – diz o
professor.
Experiência semelhante também desenvolve com
a Escola de Samba Mirim Mensageiros da Alegria. Pelas aulas,
no Colégio Celso Ramos, componentes da agremiação
têm aulas de percussão. O objetivo é formar
mestres e diretores de bateria para que a agremiação
tenha seus ritmistas.
– Na Ilha, os batuques e ritmos estão disponíveis
a quem buscar aprender, ou simplesmente apreciar. Rico ou
pobre, quem estiver interessado tem a oportunidade de buscar
o conhecimento – observa.
Além do trabalho social, Marcelo está envolvido
com o projeto Toque de Mestre, que tem como objetivo maior
aproximar os músicos da Ilha de Santa Catarina dos
grandes artistas da música brasileira. |
Centro Cultural Cartola cria
Circuito do Samba |
Acaba de ser aprovado pelo Instituto
do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional
(Iphan) um projeto do Centro Cultural Cartola (CCC) para certificar
locais que fomentam o samba na cidade. Batizado de Circuito
do Samba, o projeto tem como objetivo fortalecer os lugares
de prática do samba de terreiro, do partido alto e
do samba enredo. Patrocinado pelo Ministério da Cultura,
por meio do Iphan, o Circuito Cultural do Samba terá
duas fases principais. A primeira, que ocorrerá em
dezembro, será a sinalização dos locais,
com totens, e a criação de um site com informações
sobre os locais do circuito. A segunda, prevista para 2011,
contará com um ônibus que percorrerá pontos
chave da cidade, levando exposições itinerantes
e shows.
Na Grande Tijuca, os candidatos à certificação
são o Pagode do Trabalhador, que acontece toda segunda-feira
no Clube Renascença, e as escolas de samba Salgueiro
e Vila Isabel. Na Zona Norte, alguns dos contemplados serão
a Portelinha (sede da velha guarda da Portela) e o Cacique
de Ramos.
— Ainda estamos definindo os critérios para a
certificação, mas os principais parâmetros
serão uma referência histórica do gênero
e fomentar a prática e a divulgação do
samba — explica Nilcemar Nogueira, neta de Cartola e
coordenadora de projetos especiais do CCC.
Segundo Nilcemar, a iniciativa visa a preservar a identidade
e as características das várias vertentes do
gênero musical.
— É muito importante enaltecermos os baluartes
do samba, aqueles que iniciaram a tradição e
os valores desta arte numa época em que sofriam preconceito
e eram até humilhados. Os jovens sambistas e outros
artistas da MPB não existiriam sem eles — diz
Pituka Nirobe, membro do Conselho do Samba do CCC e da diretoria
cultural da Mocidade Independente de Padre Miguel.
Para Bira Presidente, fundador do Fundo de Quintal e presidente
do Cacique de Ramos — que completa 50 anos em 2011 e
é tombado como patrimônio cultural do Rio de
Janeiro —, o projeto vai oferecer mais oportunidade
e respeito a quem desenvolve um trabalho sério na área:
— O samba, que é tão respeitado no exterior,
merecia um reconhecimento muito maior aqui dentro. Fundado
em 2001, o Centro Cultural Cartola (www.cartola.org.br) é
responsável pelo Centro de Referência de Pesquisa,
reconhecido pelo Iphan como Pontão de Memória
do Samba Carioca.
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G.R.C.E.S.M. Nova Geração
do Estácio de Sá presenta:
Paulicéia Desvairada- 70 anos do Modernismo
no Brasil(Enredo do G.R.E. S. Estácio
de Sá Carnaval de 1992)
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Uns chamam
de reedição, outros de reinterpretação,
mas a verdade é que as boas e velhas histórias
sempre emocionam, nos deixando, por alguns instantes,
mais felizes e até desvairados!
Setor 1 - A Inspiração!
A Semana de Arte Moderna continua influenciando
a arte brasileira. O movimento modernista de 1922
representou uma verdadeira renovação
de linguagem, revelando um Brasil em busca da
liberdade de criação. A entrada
do Modernismo Artístico e Literário
em nosso país está relacionada com
a arte que se faz hoje.
A inspiração pode vir de tudo.
A própria vida está repleta de inspiração!
As cores do arco-íris representam fontes
inesgotáveis. Arco de cores, tonalidades
e misturas. Ela chega desavisada, feito a garoa
no Trianon ou até mesmo feito as imensas
luas que enfeitam nossas noites! Clarões
de idéias e o brilho de nossa escola exaltando
a arte. Inspiração e transpiração.
Poesia e melodia. Emoção e comoção.
Raças e classes!
A arte feita pelo e para o povo. Inspirados nos
capítulos em que a felicidade se torna
protagonista, modernizamos, em poucos instantes,
velhos conceitos e eternizamos as novas
gerações! Seguimos cantado
Paulicéias e Tropicálias mescladas
de tradição e inovação!
“Balança
um samba de tamborim/Emite acordes dissonantes/Pelos
cinco mil alto-falantes/Senhoras e senhores/Ele
põe os olhos grandes/Sobre mim...”
Tropicália – Caetano Veloso
Setor 2 - Sacudindo as estruturas da
arte tupiniquim
A busca da liberdade de criação
rompeu com o passado apresentando novas idéias
e conceitos artísticos. 1922
era o ano em que o país comemorava o primeiro
centenário da Independência e os
jovens modernistas pretendiam redescobrir o Brasil,
libertando-o dos padrões estrangeiros.
Encontrar novos dias percorrendo os muitos e sinuosos
trilhos da imaginação nessa ciranda
em que nós, meninos, brincamos. Com notas
de brasilidade, pinceladas de uma malandragem
quase poética e a preocupação
em realizar uma arte tipicamente nacional, a Semana
de 22 sacudiu os padrões estéticos
europeus mais tradicionalistas, embora influenciada
por eles. Dedilharam e interpretaram canções,
declamaram poetas, fizeram a renovação
saltar das telas!
Setor 3 – Tudo acaba em carnaval!
A alma brasileira habita em personagens de tirar
o fôlego que viveram e vivem a transformação
da cultura nacional durante o carnaval. Nessas
transgressões autorizadas festeja-se a
vida! Máscaras, losangos e brilhos apostando
todo talento na felicidade! Mestiços, caboclos,
mamelucos, mulatos, pardos, brancos, negros, gringos,
mendigos, nobres, pobres, ricos, anônimos,
sinônimos! O discurso do povo aposta no
dom da intuição, deixando que o
coração fale ou espalhe seu rastilho
de valor através da cultura.Deixem que
o país da tropicália sabe o que
está fazendo, ouçam as vozes dessa
geração e permitam que nossas crianças
desçam de suas encantadas colinas para
no asfalto fazer a festa!
Heriton Bakhury
Carnavalesco
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| Conheça a Sinopse do Enredo
da Unidos de Padre Miguel |
A Unidos de Padre Miguel entregou na noite desta quinta-feira
(27/05), a > sinopse do enredo "Hilária Batista
de Almeida", dos carnavalescos Edward > Moraes e Marcus
Ferreira, para sua ala de compositores. > > No
próximo dia 12 de junho, a partir das 14h, os carnavalescos
irão > ministrar nova palestra sobre o enredo
e vão estar a disposição dos > compositores
para tirar dúvidas sobre o enredo. > >
A direção da escola informa aos interessados que
sua ala de compositores é > aberta à toda
comunidade do samba. Mais informações sobre o
concurso que > irá escolher o hino oficial da
Unidos de Padre Miguel no Carnaval 2011, > acesse o site
da escola: www.unidosdepadremiguel.com.br. > >
Confira a Sinopse da Unidos de Padre Miguel... >
> JUSTIFICATIVA DO ENREDO > > ‘’Festa
de Iemanjá (1978); > O Quilombo dos Palmares (1984);
> Meu Irmão de Cor, Meu Irmão de Fé
(1987); > Valongo (1988); > Bahia de Todos os
Negros (2000) e > No Reino das Águas de Olokum
(2008). ’’ > > Negra. >
> Com um toque de africanidade que sempre fez bem a Unidos
de Padre Miguel. > Foi preciso olhar ao longo de seus
54 anos de história e resgatar a sua > identidade.
> > ´´Unidos´´ vestiremos
turbantes, torço branco ou rodilha. Pescoço repleto
> de argolões e colares de búzios, a minha
proteção. No ombro o xale de pano > da
costa e sobre o peito erguido uma blusa de cabeção
rendado. Sobre o > pulso firme traremos amuletos: balangandãs
de prata, braceletes, pulseiras > e cordões. A
saia rodada nos veste e nos pés, chinelinhas de couro.
> > Na alma: as mães de Santo. No coração:
as mães do samba. > > Viemos contar a mãe
de todas: Hilária Batista de Almeida. > >
Nossa Mãe. > > SINOPSE DO ENREDO >
> Ouçam o som dos Ilús! O Semba celebra a vida.
> Ifá, senhor do Destino. > A luz de Òrun
gera a vida, sua ancestralidade. > Dos Yorubás
valentes, a herança! > Mãe África
Ritual... Das Savanas ensolaradas. > O Ventre do mundo.
> > Bahia, Salvador. Em que seus pais escravos aportaram.
> Escrava nasceu, cresceu... Entre costumes afro-portugueses.
> Onde desfilam os Ranchos de Reis. Assistiu nas ruas e ladeiras...
> Procissões católicas, cheganças, pastoris...
Bumba-meu-boi e baianos > cucumbis. > Por Bamboxê
Obtikô no Terreiro da Casa Branca... > Fez-se filha
de Oxum, Senhora do amor e da beleza. > Na Gira dos Batuqueiros,
o Semba se fez Samba. > > Bahia, seu berço,
seu chão... Sentirás saudades! > Destino
te guia rumo ao Rio de Janeiro. > Seria a oferta de emprego
na estiva, no cais. > Nos antigos sobrados da Saúde,
seu lar. > À beira do cais... Vida simples. Pescadores,
populares. > Saudades, Hilário Jovino Ferreira
e Mãe Baiana Bebiana. > Fundadores dos primeiros
ranchos... O Reis de Ouro. > Que relembram o folclore
nordestino de alegorias ao divino. > Nas esquinas: quitandas,
nas ruas: vendedores e artistas. > Pioneiro terreiro
de magia do irmão de fé João Alabá
de Omulu. > Tia Bebiana, Tia Mônica, Tia Amélia,
Tia Carmem do Xibuca, Tia Perciliana, > De santo irmãs!
Torna-se Yakekêrê, mãe pequena. >
> Pequena África de magia! Praça Onze... Um
novo lar. > Viveria dos quitutes baianos e das comidas
típicas. > Diziam que obtinhas o poder da cura...
Não se avexem, são as mãos de Oxalá!
> Sua fama pela cidade percorria. Até as vestes ela
alugaria. > Verdadeiro reduto de sambistas, das rodas
de samba. > Do samba de terreiro, do Partido Alto.
> Samba criado pelos filhos das mães baianas >
Donga, Pixinguinha, Sinhô e João > És
uma verdadeira casa de samba, de bambas. > > Quem
diria que os ranchos... Ganhariam alegorias. > Negros
que se vestiam em nobres. Belas damas. > Da Malandragem
nascente, filhos das mães baianas... > Que formariam
as primeiras escolas de samba. > Dos primeiros pavilhões.
Dos estandartes informando os enredos... > Dos adereços.
Das burrinhas de vime a bailar. > Das nossas Baianas
de Linha protegendo os sambistas. > > Esta aí
senhora... Nascido em seu lar. > Vejo-o com orgulho.
O samba é seu, do Rio! > Das nossas mães
baianas do samba. > De nossas cabrochas, da comunidade
da Vila Vintém. > A homenagem do meu Boi Vermelho,
Unidos de Padre Miguel. > Deixo meu Axé em branco,
com sangue vermelho pulsante... > À Hilária
Batista de Almeida ou simplesmente Tia Ciata. > Peço
a sua proteção, minha mãe! >
> Tia Rema > > (Elizete Cândida da Silva,
73 anos, nascida em dois de março de 1937. Tia >
Rema como é conhecida pela comunidade, é uma das
figuras mais importantes > da Unidos de Padre Miguel.
A Mãe que embala uma grande geração de
> sambistas para a Vila Vintém.) > >
Edward Moraes e Marcus Ferreira > > Carnavalescos
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Paisagens do
Rio de Janeiro guiam o enredo da São Clemente |
Será a partir das paisagens do
Rio de Janeiro, que a São Clemente homenageará
a cidade-sede dos Jogos Olímpicos de 2016. De acordo
com o carnavalesco Fábio Ricardo, o enredo foi ideia
do Iphan (Instituto do Patrimônio Histórico e
Artístico Nacional)e sugerido há dois anos para
Fabinho quando ele ainda assinava os desfiles da Rocinha.
- O Mauro Chaves do Iphan propôs o enredo, mas para
um grupo de acesso, o tema era muito rico e não caberia
no grupo por conta da limitação de setores que
nós temos no Acesso - contou Fabinho, em entrevista
à Rádio Tupi.
Contratado no mês de março pela São Clemente,
Fabio Ricardo já está na fase de produção
dos desenhos. Ele levou entre sete a dez profissionais de
sua equipe para escola da Zona Sul - Levei a minha "família"
que trabalha comigo para se unir à família São
Clemente.
De acordo com o carnavalesco, o enredo ainda não tem
patrocínio, mas a escola ainda busca ajuda para realizar
o carnaval, vinda do próprio Iphan. A festa de lançamento
do tema e a entrega da sinopse será na próxima
terça-feira na quadra da agremiação.
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Emoção
é o tema do enredo da Cubango para 2011 |
Com o título provisório
de "A Emoção está no ar", a Acadêmicos
do Cubango já definiu o enredo que levará para
a Marquês de Sapucaí no sábado de carnaval.
O tema abordará a história da humanidade através
das emoções que o homem sentiu ao longo dos
tempos. O desenvolvimento do enredo será do carnavalesco
Jaime Cezário, que está de volta à agremiação.
Nos próximos dias, a escola oficializará o título
e divulgará a sinopse.
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Carlinhos de
Jesus é da Beija-Flor |
/Irapuã Jeferson/Divulgação/
Carlinhos de Jesus vai reforçar o time da Beija- Flor
de Nilópolis no desfile de 2011, que terá como
enredo a história de vida e da carreira do Rei Roberto
Carlos. Carlinhos é o novo coreógrafo da comissão
de frente da azul-e-branco.
A apresentação do dançarino à
diretoria e a representantes dos segmentos da escola aconteceu
na tarde desta quinta-feira, 27, no barracão da Beija-Flor,
na Cidade do Samba, na Zona Portuária do Rio.
Carlinhos de Jesus coreografou as comissões de frente
da Mangueira de 1998 a 2008. Nos dois últimos carnavais
não comandou nenhuma comissão no Grupo Especial,
mas este ano foi o responsável pela performance que
a bateria da verde-rosa apresentou no desfile.
- É um orgulho e uma alegria muito grande chegar à
Beija-Flor. Sempre admirei a escola, o Laíla (diretor
de carnaval) e o Alexandre Louzada (carnavalesco). Depois
de dois anos sem apresentar uma comissão de frente
na Avenida, estou voltando para fazer o que mais gosto na
vida.
Sou Em Cima da Hora, meu coração é mangueirense,
mas agora estou na Beija-Flor. Sou profissional e tenho que
pagar minhas contas - disse o mais novo integrante da escola
de Neguinho da Beija-Flor.
Durante a apresentação, o diretor de carnaval
Laíla informou que a sinopse do enredo que tem como
título "A simplicidade de um rei" será entregue
aos compositores do próximo dia 16, na quadra da escola,
possivelmente com a presença do cantor e compositor
Roberto Carlos.
Para o desfile em homenagem ao cantor, Laíla disse
que a escola apresentará mudanças no visual
como fantasias mais leves e sem resplendores. Ele também
estuda a possibilidade de extinguir componentes em carros
alegóricos, mantendo apenas os destaques principais.
Sobre um possível apoio financeiro da Nestlè,
que patrocina a turnê de Roberto Carlos com o show que
marca os 50 anos de carreira do Rei, o diretor de carnaval
informou que há a possibilidade de patrocínio,
mas que a diretoria da escola, até o momento, não
manteve qualquer contato com a empresa.
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São
Clemente divulga sinopse do enredo para 2011
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O seu, o meu, o nosso Rio, abençoado
por Deus e bonito por natureza_*
Conselho Deliberativo da Criação Divina Lá
longe e tão perto, eternizado em nossos corações,
está Deus. Dada sua condição especial,
onipresente e divino, Ele convoca todos os santos, anjos e
arcanjos e institui o Conselho Deliberativo da Criação
Divina. Transforma-os em incansáveis missionários
para construir o mundo dos homens em sete dias. E afirma:
- Dos sete, utilizarei dois para criar uma cidade admirável,
esculpida pela própria natureza.
Em seguida, chama por São Clemente e São Sebastião
e ordena-os: - Vocês serão responsáveis
pela obra desta "cidade única". Descerão da
criação divina ao plano material, levando o
sopro à vida. Distribuirão mistérios
por uma terra abundante de frutos, pássaros e peixes.
Belas, igualmente únicas e belas, serão suas
paisagens e suas águas cristalinas "azuis como a cor
do mar". E ao término do cumprimento de minha ordem
divina chamem-na de E Deus fez a Maravilha. Contudo, antes
de partirem, o criador de todas as coisas designou os anjos
Ariel, Gabriel e Raphael para a tarefa de fiscalizar as obras
e a vida na cidade única por Ele planejada.
Rio: um porto desejado! A Maravilha de Deus é contemplada.
Os fenícios podem ter sido os primeiros que aqui chegaram.
Eles vislumbram um "Rio Alado". Algumas inscrições
gravadas no alto da Pedra da Gávea permitem fantasiar
sobre esta versão indubitavelmente mágica em
sintonia com a natureza.
O Rio torna-se alvo irresistível para os navegadores
portugueses e franceses, que ávidos da majestosa natureza,
travam batalhas por seu valor inestimável.
Deus percebendo a cobiça e o crescente desejo pelo
domínio de sua menina dos olhos promove São
Sebastião a santo padroeiro da cidade. Credita-se a
São Sebastião, o bem-aventurado, parte do nosso
futuro sucesso como cidade. Dada a batalha final, é
ele quem surge na visão do consciente imaginário
português motivando-o a vencer e expulsar os invasores,
fundando-se a Cidade de São Sebastião do Rio
de Janeiro.
Império Tropical
Vendo através dos olhos dos homens, o nosso divino
arquiteto dá condições à vida...
A Família Real desembarca no Rio de Janeiro. É
a época da política do "Ponha-se na Rua", nome
dado, com senso de humor, pelos cariocas, que se inspiravam
nas iniciais "PR", de Príncipe Regente, que eram gravadas
na porta das casas requisitadas para os nobres portugueses.
A Divindade transforma-se em uma realidade histórica.
É a fonte cristalina das águas do Rio carioca.
Suas águas correm, suprem as necessidades de abastecimento
e chegam aos homens. Tornam-se as águas do Rio, dos
escravos agueiros, dos caminhos dos aquedutos, das mães-d´água:
das bicas públicas, dos chafarizes, das casas dos nobres.
Águas que molham o canto das lavadeiras nos riachos
e atiçam o imaginário carioca: mulheres que
delas bebiam ficavam formosas e os homens recuperavam o vigor
físico. Seguindo o caminho das águas do Rio,
a sabedoria divina é observada na natureza. Emerge
da terra macia e fértil uma deslumbrante floresta urbana.
Depois de emitidos os relatórios pelos anjos consultores
de Deus, visando garantir a comunhão entre a natureza
e a cultura dos seres humanos, conclui-se a Floresta que se
denominou Floresta da Tijuca. Não obedecendo à
ordem existente, o homem, nela, cultivou o plantio do café.
A cafeicultura se espalhou rapidamente por grande parte do
Maciço da Tijuca, ocasionando forte desmatamento, o
que levou os barões e os senhores do café, os
nobres e a crescente população da capital do
Império a sentirem a ira de Deus.
Como resposta, atribui aos homens consequências desastrosas
como as severas secas que atingiram o Rio de Janeiro, criando
um problema periódico de falta d’água
para a cidade carioca. Como se não bastasse, o governo
imperial foi responsabilizado por um programa emergencial
de preservação dos mananciais e do replantio
das árvores da Floresta da Tijuca, seguido das desapropriações
das fazendas cafeeiras da região.
Em contrapartida, o governo propôs o cultivo de um jardim,
com o intuito de estimular a aclimatação e a
cultura de especiarias exóticas vindas das Índias
Orientais. A fluida terra desse jardim, nomeado, inicialmente,
de Real Horto, Real Jardim Botânico e, finalmente, de
Jardim Botânico do Rio de Janeiro, semeou-se de novas
opções de plantio.
Nele, a mão de obra chinesa foi utilizada para testar
a receptividade do solo carioca ao cultivo do chá.
Contudo, diante da experiência marcada pelo insucesso,
os chineses foram aproveitados para abrir uma via carroçável.
Nesta obra, teriam feito seu acampamento onde hoje está
localizada a Vista Chinesa, dando origem desta maneira a um
dos mais belos mirantes da cidade do Rio.
Modernismo Carioca São Clemente e São Sebastião,
após se reunirem com os anjos fiscais das obras divinas,
chegam à conclusão que devem, mesmo sabendo
da
conformação geográfica da cidade (constituída
de elevações, lagoas e pântanos), encaminhar,
para a aprovação do Conselho Deliberativo da
Criação Divina, o programa urbanístico
do engenheiro e prefeito Pereira Passos, que visa transformar
a antiga cidade imperial em uma metrópole cosmopolita.
Sob esta ação, inicia-se no centro carioca uma
grande intervenção. Em pouco tempo as picaretas
do progresso abrem à cidade as vias da modernidade.
Construção de grandes e largas avenidas, de
praças e jardins; revitalização do cais
do porto e arborização da Avenida
Beira-Mar.
Entre planos estratégicos, riscos e traços,
o Rio civiliza-se e é"rebatizado" de Cidade Maravilhosa.
Conta-se, inclusive, que nessa época, Deus para proteger
os seres aterrados, nomeou São Jorge como General da
Guanabara. E salve Jorge!
Os princípios do projetar moderno, contudo, somente
são aplicados nas décadas seguintes pelo estudo
urbanístico do arquiteto Alfred Agache e dos projetos
doarquiteto-paisagista Roberto Burle Marx que, entre outros,
assina o projeto paisagístico do Parque do Flamengo.
Nesse contexto de grandes transformações, os
belos cenários urbanos projetados e ordenados pelos
novos meios técnicos do homem conjugam harmoniosamente
as paisagens do Rio, possibilitando uma gestão cultural
à altura do que a cidade única idealizada por
Deus merece.
Música: a paisagem do Rio A música é
um dom divino. O som está por toda parte. É
pura ilusão achar que a natureza é silenciosa.
A paisagem do Rio de janeiro situa-se no horizonte musical
do carioca Villa-Lobos, que incorporou o folclore brasileiro
às seduções urbanas do Rio de Janeiro;
e no repertório original da pianista Chiquinha Gonzaga,
autora da primeira marcha carnavalesca "Ô Abre-Alas".
Sobre as formas populares situa-se nos "chorões" das
composições de Pixinguinha e nos aspectos mais
descontraídos como o samba e todas as músicas
de inspiração rítmica, que descem dos
morros e interagem com a cidade. A Bossa Nova, o mais carioca
dos estilos musicais, é o Rio que inspira "no doce
balanço a caminho do mar". É a paisagem musical
que canta a paixão do carioca pelo Rio, a benção
divina que, de braços abertos, ilumina a vida, a diversidade
de cores e de sabores, de flertes e de olhares, e de muitos
amores.
A Bossa Nova gira em 78 rotações e redescobre
o Rio de Janeiro. Universaliza, revoluciona, rompe fronteiras
e leva a música do Brasil aos quatro cantos do mundo.
Rio Cidade!
Muito antes, o divino criador já anunciava: é
preciso ter fé e redenção. Cuidados com
a cidade para sua preservação... Mais de 400
anos se passaram e a cidade única planejada por Deus
é dominada pela Lei do mais forte, "que dita as normas
e causa algumas imperfeições à cidade".
Não se vê mais o todo: a vida, as águas,
a terra. A cidade cresce desordenadamente. O Homem autoriza,
polui, e a "pobreza" chancela a construção em
terras invadidas e em áreas inadequadas. As consequências
são drásticas! Salve-se quem puder. Engarrafamentos,
enchentes, deslizamentos, lixo, injustiças sociais
e epidemias.
Esses efeitos chamam a atenção do nosso divino
arquiteto, que intervém lançando um desafio
para a cidade: no lugar do "progresso" e do crescimento ilimitado,
hostil para a natureza do Rio, devem-se convocar todos os
engenheiros, arquitetos e paisagistas e criar um grande planejamento
para a reconstrução urbana da cidade. Isto porque,
o Rio haverá de ser o responsável pela realização
de dois grandes eventos mundiais.
Eis o meu desafio para garantir as condições
de continuidade à vida nesta cidade.
Ser Carioca é...
Ser abençoado por Deus e bonito por natureza.
Ser carioca ou não, é se reconhecer na paisagem
do Rio, nos seus
morros, na sua geografia humana e nos seus estados de espírito.
Ser carioca é sermos nós. São nossas
manifestações, nossos costumes, nosso sotaque,
nosso jeito de ser e nossa alegria de sermos lembrados e vistos
em diversos pontos do mundo.
Ser carioca é manter a aliança divina, quando
contemplamos a beleza de um pôr do sol.
É uma explosão de cores. São encantos
mil. É ser blasé com a própria rotina,
é sorrir para o surreal, confiando nos próprios
instintos.
É ser patrimônio cultural e observar a cidade
em 360 graus.
Contudo, ser carioca é torcer pela carioquíssima
São Clemente, é ser o
Rio que eu canto e exalto, o mesmo Rio que Deus protege e
cuida lá do alto.
Créditos:
Carnavalesco: Fábio Ricardo
Pesquisa e texto: Marcos Roza
Idéia original: Mauro Chaves
Desenvolvimento do enredo: Fábio Ricardo e Marcos Roza
Revisão e copidesque: Márcia Rinaldi
*Bibliografia consultada:*
BOFF, Leonardo. Uma declaração: os Direitos
da Mãe Terra. Jornal do
Brasil, Rio de Janeiro, 3 de mai. 2010, p. A11.
COLASANTI, Marina; PINHEIRO, Augusto Ivan de Freitas. Rio
de Janeiro
360º. Rio de Janeiro: Priuli & Verlucca editori,
1997.
LODI, Maria Cristina Vereza. Dossiê da Candidatura do
Rio de Janeiro a
Patrimônio Mundial, na categoria "Paisagem Cultural"
- IPHAN, dez. de 2009.
NEVES, Margarida de Souza. A Cidade e Paisagem. In: MARTINS,
Carlos (org). Paisagem Carioca. Rio de Janeiro, MAM, 2000. |
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